Páginas

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Editorial - 2º ponto de vista


À medida que vai tentando domar as forças fisiológicas incrustadas nos ministérios, a presidente Dilma trata de fazer manobras táticas para não perder o controle da situação.

Tendo avançado, mesmo à sua própria revelia, na faxina ética, a presidente Dilma tem gastado a lábia de para tentar convencer seus aliados de que não parte dela a iniciativa de caçar corruptos nos ministérios e repartições públicas.

São os órgãos controladores que estão agindo e, sobretudo, a imprensa, disse a presidente a um grupo de políticos com quem conversou para acalmar os nervos.

Não seria possível, nem mesmo legal, a presidente tentar impedir que algum desses órgãos parasse de investigar atos de autoridades.

Quanto à imprensa, aí nem se discute. O Palácio do Planalto não tem condições de interferir, e nem quer fazê-lo, e já deixou de lado a tentativa anterior de controle dos órgãos de comunicação.

Essa explicação não convence boa parcela de aliados, tendentes a acreditar em teorias de conspiração que indicam que partem do próprio Planalto, ou de seu entorno, as informações que jornais e revistas divulgam, colocando em risco o emprego de figurões de Brasília.

Seria uma estratégia que a presidente Dilma estaria usando para se livrar de ministros que lhe foram impostos na formação inicial do governo pelo ex-presidente Lula.

Certamente não é apenas coincidência o fato de todos os quatro ministros defenestrados serem ligados ao esquema anterior.

Dos que deixaram o governo sob acusações de corrupção, Antonio Palocci, Alfredo Nascimento e Wagner Rossi são heranças do governo Lula, e o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que saiu por divergências políticas explícitas, tinha com Lula uma posição política que lhe permitia palpitar em vários assuntos além da questão militar da pasta que ocupava.

Essa liberdade de atuação, Jobim não encontrou no governo Dilma, e acabou explicitando seu descontentamento de ter que conviver com "idiotas que perderam a cerimônia".

Assim como o ex-presidente Lula vai trabalhando nos bastidores para consolidar a possibilidade de voltar à Presidência em 2014, e para efeito oficial nega essa possibilidade, também a presidente Dilma vai desmontando o Ministério herdado por Lula.

Pressionada por sua própria base política, Dilma vem tentando desconstruir a ação de limpeza ética, afirmando que ela só existe na cabeça dos jornalistas.

O senador Pedro Simon tem razão quando diz que a sociedade brasileira tem que tomar a frente da ação saneadora, e tenho a impressão de que isso já está ocorrendo, não em manifestações públicas, como se fazia nas antigas passeatas reivindicatórias, mas nos Facebooks da vida, onde a cidadania se expressa com mais propriedade nos dias de hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário